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21.05.07

Projeto prevê ampliação do calado

Especialistas em gerenciamento costeiro propõem a retirada de embarcações afundadas no estuário de Santos para aumentar a profundidade do canal de navegação do porto, atualmente entre 12 e 13 metros. Segundo eles, a medida permitirá que o complexo receba navios com calado de até 20 metros.

A estimativa é de que o projeto demande investimentos da ordem de US$ 130 milhões (cerca de R$ 260 milhões).

A proposta foi apresentada a A Tribuna pelo diretor de Projetos Ambientais e Marinhos da organização não-governamental Fundação Atapesp de Tecnologia Avançada de Estivagem, João Carlos de Souza. Segundo ele, o trabalho terá dois resultados positivos. Além do comercial, com a atração de grandes cargueiros, haverá um ganho ambiental, a partir da melhora da qualidade de vida na região.

O projeto da Atapesp começa com a remoção de todos os ‘‘objetos estranhos’’ que se encontram no fundo do canal do estuário. Segundo Souza, registros da Companhia Docas de Santos (CDS, antecessora da Codesp na administração do porto), da Autoridade Marítima, além de publicações compiladas nos últimos anos, apontam a existência de 34 embarcações, entre cargueiros e pesqueiros, afundadas no cais santista.

‘‘Mas tem muito mais que embarcações. Tem âncoras perdidas, tanques, lixo, madeira, paletes e até contêineres. Nada disso existia antes. Esses objetos colaboraram muito para o assoreamento do estuário’’, afirmou Souza.

O diretor de projetos ambientais da Atapesp explicou que, quando as correntes marítimas ou simplesmente a maré passa por navios ou grandes objetos afundados no estuário, ‘‘verdadeiras barreiras ao fluxo no canal’’, a tendência é que os sedimentos carregados pela água se depositem nessas estruturas. Com o acúmulo, começam a surgir os bancos de areia que, aos poucos, reduzem a profundidade do local.

O diretor da Fundação Atapesp defende que, se não fosse essas interferências, o cais santista poderia ter hoje aproximadamente 20 metros de profundidade. ‘‘É perfeitamente viável restaurar o estuário e chegar a 20 metros’’, afirmou.

PROJETO

A primeira etapa do projeto será a retirada das embarcações submersas do canal. De acordo com João Carlos de Souza, essa tarefa custará em torno de US$ 30 milhões e levará cerca de dois anos para ser concluída. ‘‘É o primeiro passo para a restauração. Vai eliminar obstáculos à navegação porque os locais onde as embarcações estão no canal, inclusive galeões da época do Descobrimento, foram cobertos por bancos de areia’’.

Na sequência, a iniciativa privada terá de preparar seu píeres e cais para levar o estuário a 20 metros de profundidade. Por fim, haverá a necessidade da realização da dragagem de aprofundamento, trabalho que demandará investimento de aproximadamente US$ 100 milhões (R$ 200 milhões). Para o diretor da Atapesp, essa etapa deverá ser acompanhado de um serviço preventivo para evitar o acúmulo de novos detritos.

Fonte: Jornal A Tribuna

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