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09.04.07

Viagens perigosas

A cada três horas, nas ruas da cidade de São Paulo, ocorre pelo menos um acidente com ônibus, microônibus ou lotação. Em 2006, só nas 650 colisões havidas no ano, 24 pessoas morreram.

Entre janeiro e março de 2007, houve registro de outras 5 mortes e 110 pessoas ficaram feridas em acidentes com veículos de transporte coletivo. A imprudência dos motoristas que conduzem ônibus, microônibus e vans, geralmente superlotados, é apontada como a principal causa da insegurança do transporte coletivo paulistano. Nos primeiros três meses deste ano, 17 mil passageiros registraram reclamações pelo telefone 156 da Prefeitura contra os abusos cometidos pelos motoristas, principalmente nas zonas sul e leste, as mais carentes da cidade.

Desrespeito ao limite de velocidade, ultrapassagens perigosas, manobras proibidas e até rachas entre lotações são infrações comuns cometidas pelos funcionários de viações e cooperativas. Reportagem publicada pelo Jornal da Tarde, na quarta-feira, revelou o drama de quem tem de embarcar diariamente em veículos lotados, enfrentando uma viagem insegura.

Uma das passageiras entrevistadas comparou a experiência de usar o transporte coletivo paulistano a uma aventura numa montanha-russa, sem cinto de segurança. O trajeto que ela percorre inclui ruas de tráfego carregado, pavimentação defeituosa e desenho sinuoso o que, para os motoristas, parece significar um radical desafio. Para os passageiros, é uma experiência aterrorizante.

A reportagem constatou também a prática comum entre os motoristas de "queimar" os pontos, ignorando as filas de passageiros que esperam por condução. É uma brincadeira de mau gosto entre motoristas de uma mesma linha, que consiste em correr o máximo para deixar para o último colega a "carga" de passageiros que espera por transporte.

Diante dos números de acidentes, mortes e reclamações, o prefeito Gilberto Kassab e o secretário de Transportes, Frederico Bussinger, decidiram agir. O prefeito assinou, na terça-feira, decreto que cria o Programa de Redução de Acidentes em Transporte. O objetivo é reunir representantes da CET, da SPTrans e das cooperativas para propor medidas que aumentem a segurança do transporte coletivo.

O secretário Bussinger explicou que o primeiro passo será o estudo das estatísticas para, então, planejar as ações. Não se sabe quanto tempo isso vai levar, embora Gilberto Kassab tenha prometido fazer de 2007 o ano da segurança no transporte coletivo. Se quiser atingir tal meta, já tem à disposição elementos suficientes para fiscalizar e punir maus motoristas - desde o Código de Trânsito até a legislação municipal que estabelece os deveres das viações e cooperativas em relação à segurança do passageiro.

Fazer cumprir as normas de trânsito, de qualidade e segurança do serviço é o primeiro passo. Se todo o rigor com que os agentes multam os motoristas de veículos de passeio fosse aplicado também aos motoristas de ônibus e vans a segurança aumentaria.

No início do ano foi publicada portaria estabelecendo prazo de 120 dias para os 15 mil ônibus, microônibus e lotações da cidade serem equipados com dispositivo que impede o motorista de ultrapassar a velocidade de 60 quilômetros por hora nas ruas e 50 quilômetros por hora nos corredores de trânsito. O prefeito garantiu que até 6 de maio os equipamentos serão instalados e toda a frota passará a ser fiscalizada por meio do Sistema de Posicionamento Geográfico, tecnologia que permite monitorar os veículos e oferecer, ao mesmo tempo, socorro rápido em situações de emergência.

Não se pode, porém, centralizar todas as ações na tecnologia e se esquecer de quem está na condução do veículo. É vital selecionar melhor, capacitar e treinar o motorista para bem atender a população. Como bem lembrou o engenheiro e consultor em prevenção de acidentes Luiz Célio Botura, ao Jornal da Tarde, pilotos de avião são avaliados a cada seis meses. Atenção semelhante deveria ser dada a quem tem nas mãos mais de 6 milhões de passageiros por dia.

Fonte: O Estado de São Paulo

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